A TRAGÉDIA
Quem nada tem, nada come, E ao pé de quem tem comer, se alguém disser que tem fome, comete um crime sem querer. O filho então o que foi que aconteceu, nada -como nada se tu estás aqui quando devias estar na casa do teu patrão? - Ele pôs-me na rua,- E por que te pôs ele na rua? - porque eu gosto da d. Joaninha. Ai valha-me Deus, que tragédia, então e ele disse que não te queria lá mais?- Não ele não disse isso, só disse, some daqui para fora, e eu fugi, enquanto ele ficou a ralhar com a d. Joaninha.- (Estamos em Novembro de 1943 em plena guerra) Olha filho logo quando o teu pai chegar nós vamos falar e depois eu ou o teu pai vamos lá falar com os teus patrões para tu voltares para lá. - Eu não quero voltar para lá.
















Lá foi o E. cheio de medo e á pressa roçar outro molho de mato e leva-lo sempre a correr. Quando chegou a casa só estava a sra. D. Luz Então menino já chegaste mas demoraste tanto. Mas não te assustes não te vai acontecer mal. Tu já viste outro cabelo assim tão grande como este? não minha sra. sabes quantos metros mede o meu cabelo? Não. Tem um metro e sessenta centímetros tantos metros,- eu vivo só para o meu cabelo e para o meu marido. mas agora anda cá vês alem aquela vinha por baixo dos eucaliptos? sim sra. vejo bem e vês aqueles senhores que andam lá no meio da vinha? Sim sra. vejo bem, é o sr. José com o pessoal, vai e diz, que estiveste a fazer um recado para mim e não tenhas medo que nada te vai acontecer. havemos-de ser grandes amigos e falar muito. (Mas olha que isto não é para dizer a ninguém) percebeste? sim minha sra. agora vai. 




